“Picasso, seu trabalho é muito bonito e tals, MAS esse rosto… não sei… daria pra vc mudar, deixar mais reaaal, mais bunitim, sabe cumé?”
Ás vezes fico imaginando esse diálogo (ou monólogo) entre um publiciOtário brasileiro e o pintor espanhol. Imagino o gentil homem escutando isso, dando uma risada em alto e bom som típica dos catalões, dando de costas pro pobre homem e falando alguns impropérios em sua língua pro pobre Sabartes que precisará pedir que o amigo Brasuca se retire. Pobre Sabartes, sempre encarregado da pior tarefa.
A publicidade no Brasil é uma piada de mal gosto. Aos olhos dos gringos parece a melhor publicidade do mundo, mas o que gringo vê é pra gringo ver, pra ganhar prêmio e como diria o Mano Brown “é pra trazer os gringo pra dentro”. A realidade aqui é outra. A propaganda é prosaica, careta, feita mesmo pra débeis mentais. Mas sabe-se bem, aquele que fala como débil mental, débil mental o é.
Basta ligar a tv durante o intervalo do Jornal Nacional; são as mesmas propagandas de cerveja de 1920 apelando pra sensualidade e a juventude, propagandas de carros que quando não apelam pra bravura indômita da alta classe é praquele humor xoxo, sem gracinha classe média adolescente. Precisa falar das propagandas de faculdades, creme pra cabelo, os rostos felizes nas propagandas de banco (olha minha cara de feliz quando tiro um extrato) e que mais? Sei lá.. não vejo tv. Mas há 30 anos passo na sala e minha mãe tá vendo as mesmas propagandas bestiais. Propaganda brasileira é criativa? AHAAAMM… só se for em Cannes…
A publicidade aqui é um antro de gente burra, incompetente, sem talento, submissa e que precisa justificar o alto valor de suas campanhas (além de massagear o ego mas essa análise eu deixo pro velho austríaco) manipulando pessoas, corrompendo e mais um monte de jargões emprestados da política, aliás, seu fiel prosélito.
Ehhh meu camarada, minha avó já dizia: Diga com quem andas e te direi quem és!
Nesse lamaçal eu não chafurdo. NÃO me submeto à hierarquia, NÃO bajulo o poder e NÃO to escravizado pelo dinheiro. Não preciso de chefe e ninguém me dizendo o que é bom ou o que não é… Isso eu venho aprendendo há 30 anos sozinho e assim vou continuar fazendo. E não preciso de suas migalhas nem preciso pegar emprestado o nome de seus clientes pra me fortalecer. Tenho a ARTE e isso me basta.
Por isso, pobre publicOtário, não me diga o que fazer, não me peça pra mudar a cor dos olhos da Capitú, não faça isso se não quiser receber uma vuadora no peito, entendido?