Entrei na galeria e haviam vários quadros amontoados na parede. Rapidamente localizei um e outro dos meus. Ok. Tinham mais vários outros quadros de estilos diferentes e pouco ortodoxos mas nada em arte me choca e então segui naquela galeria que mais parecia a feira de Acarí.
Depois de 2 paredes, eu já esgotado daquele complexo visual, aquele centro de São Paulo pixado, rasgado e abortado, então veio em minha direção o cur(r)ador daquela merda toda. Veio sem sorriso, frio e já veio me dando uma aula de arte, sim, o curador.
- Sabe qual o problema do mundo hoje? - começa o homem.
- Não.
- É que os artistas não captaram qual o segredo da arte, a magia por trás da coisa. Veja aquilo - apontando pra uns quadros 1 metro acima de nós.
Minha consciência deu um pulo. Peraí.. segredo da arte? Isso eu preciso descobrir.
O homem continuo andando com sua testa franzida e mãos atrás das costas a 2 passos na minha frente, em silêncio. Esperei mais um pouco pra ver se ele continuava o discurso e como nenhuma outra sábia palavra saiu daquela boca imunda, eu falei.
- O que tem aqueles quadros?
- Aquilo é arte
Sem deboche. Eram 2 telas com tinta marrom jogada aleatoriamente. Meo Deos.
- A imagem precisa falar com o espectador - continuou o homem - Precisa transmitir o pensamento de uma era. Comunicar sem palavras, abrir o cami…
Nessa hora, olhando pro chão, reparei que a sujeira no carpete da galeria fazia um desenho impressionantemente complexo e bonito e nessa imagem me perdi até o final do passeio.